[Resenha] Um Beijo e Nada mais


                      Título: Um Beijo E Nada Mais

                     Título original: Only A Kiss
                     Autor: Mary Balogh
                     Tradução: Lívia de Almeida
                     Editora: Arqueiro
                     Número de Páginas: 288
                     Ano de Publicação no Brasil: 2020

Olá, apaixonados por livros e doramas! Como passaram o dia? Graças a Deus o meu dia foi de pura inspiração, escrevendo sobre esse tesouro encontrado pela minha xará. Estávamos passeando pelo shopping da nossa cidade, em um pequeno espaço para livros, quando minha melhor amiga se deparou com essa preciosidade. Ela achou o livro a minha cara e resolveu me presentear. Confesso nunca ter ouvido falar do livro ou da autora em questão. Procurei resenhas no YouTube, Instagram, porém não encontrei quase nada. Uma pena!

Um Beijo e Nada Mais é o sexto livro da série”O Clube dos Sobreviventes”. Cada volume nos apresenta personagens tentando superar os horrores da guerra, bem como suas consequências.

A protagonista da vez chama- se Imogen, uma dama de aproximadamente trinta anos, pertencente a alta sociedade. Casou- se com Dick, seu grande amigo de infância, o qual iria herdar o título “ Conde de Hardford”. Infelizmente, isso nunca chegou a acontecer. Dick brigou com o pai porque não apoiava o contrabando de bebidas, especialmente em suas terras. Decidiu então, servir no exército de seu país em uma guerra contra os franceses. O livro se passa durante a guerra Napoleônica.  Imogen, também conhecida como Lady Barclay o acompanhou.

Ela o amava muito, não poderia deixá-lo sozinho, sem saber se estava bem ou não. Os dois não imaginavam o impacto dessa decisão na vida deles...

Tudo apontava para eles terem caído numa emboscada preparada pelos franceses. Dick foi morto, Imogen sobreviveu. Contudo, oito anos após a morte do marido o trauma ainda vive dentro dela.

Talvez isso possa mudar com a chegada de Percival Willian Hayes, o novo conde de Hardford.O sogro da nossa heroína faleceu e como não tinha outros filhos, o título, as terras, assim como a fortuna foram herdados pelo parente distante. Percy residia na movimentada Londres, aonde tinha um estilo de vida boêmio. Ele tinha tudo o que um homem poderia querer: uma família unida, o amor de seus familiares, dinheiro, beleza, elegância, nobreza, propriedades, a atenção das mulheres...

Ainda sim, faltava algo no interior dele. Para suprir esse vazio e encobrir seus verdadeiros receios, Percy aceitava os desafios mais perigosos. Ele comemorou seu aniversário de trinta anos em um clube, ao lado de seus primos, amigos, bebidas e é claro, mulheres. Ao acordar, teve uma terrível ressaca. Se encontrava terrivelmente entediado, o que o fez desejar uma nova rotina, novos ares...

Na mente dele, a solução encontrada foi viajar para a Cornualha. Lá, ele conheceria a propriedade herdada há dois anos, ou o que ele esperava ser ruínas.

Nosso herói não esperava encontrar uma mansão em perfeito estado, pessoas ou animais de rua em sua moradia. Inicialmente, Imogen e Percy se comportavam de maneira hostil um com o outro. Aparentemente, a personalidade encantadora de Percy, utilizada com o sexo feminino não existia perto de nossa heroína. Devido a problemas no telhado Imogen foi morar na casa principal, residência de Percy. Obrigados a conviver, um sentimento notável brota entre eles. Será que eles conseguirão ajudar um ao outro a transpor a escuridão mais profunda no coração deles? A paixão poderá se transformar em algo mais?

Convido vocês a continuarem lendo a minha resenha se quiserem descobrir.

No início, eu não simpatizava tanto com o lord Hardford. Ele era implicante, grosso e sem coração. Como não compreender o sofrimento dos bichinhos nas ruas? Por que não acolhê-los. Felizmente, Heitor, um cachorrinho super companheiro mudou essa visão. Aos poucos, o cãozinho foi conquistando Percy.

Mary Balogh(autora) entregou com maestria um romance de época, fundamentado na relação gato e rato dos personagens principais. Os diálogos são impecáveis, a troca de farpas e pensamentos entre eles é estimulante. A atração que sentem um pelo outro, irresistível...

É tocante ver a paixão deles se transformando em carinho, até evoluir para o amor.

Quem pensa que o livro só aborda o relacionamento de Percy e Imogen se engana totalmente. A obra traz à tona temas como o contrabando, traumas e medos. É muito mais profundo do que parece. Mary construiu personagens super reais, a ponto do leitor se identificar com eles.

A obra nos mostra as consequências que a fuga dos nossos medos podem trazer. Por um tempo nos sentimos confortáveis com as nossas decisões, aliviados por não expormos as nossas fraquezas.

No entanto, logo chega a estagnação...

Um vazio sem fim nos acomete, ficamos tristes e caídos no ócio. Há também o outro lado da moeda: a resistência que oferecemos a mudanças. O nosso cérebro vai fazer de tudo para continuarmos iguais, repetindo padrões que não nos levam a nada.

A culpa é outro sentimento que atrasa o nosso crescimento pessoal e afetivo. Disso, Imogen entende bem. Felizmente, juntos eles enxergaram novas possibilidades. É como dizem: a união faz a força.

As cenas hot não aparecem a todo momento e são breves. Se vocês esperam descrições detalhadas como nos livros da Júlia Quinn vão se frustrar. Eu amei que a autora não foi por esse caminho, tratando o tema com a devida delicadeza. Eu amo os livros da Júlia Quinn. Ela é incrível! Mas é preciso que os leitores abram espaço para outros escritores.

Mary merece mais reconhecimento. A única ressalva que tenho sobre a história é que poderiam ter investido mais nos traumas de Percy, pois ficaram muito nas entrelinhas. 

Indico a todos os leitores, fãs de romance ou que passam por uma ressaca literária.

É um livro envolvente,  fluído, repleto de lições sobre a vida, personagens encantadores e uma jornada libertadora.


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