Certa noite, um jovem chamado Makibito teve um sonho tão belo que, ao acordar, foi consultar uma sábia anciã. Contou-lhe o sonho, que o mostrava morando num palácio com uma linda princesa. A mulher lhe disse que o sonho não passava apenas de uma mera ilusão.
Porém, antes que terminassem de conversar chegou outro rapaz que desejava falar com a sábia, e ela pediu a Makibito que esperasse na sala ao lado. O jovem, que era muito rico, também lhe contou seu sonho. E a anciã lhe disse:
— Esse é um sonho de sorte. Mas para que se realize é preciso guardar segredo. Jamais conte seu sonho a ninguém.
Quando Makibito voltou à presença da anciã, disse-lhe:
— Como eu gostaria de estar no lugar daquele jovem! Mas por que a senhora lhe pediu que guardasse segredo daquele sonho tão lindo?
— Porque o sonho pode ser roubado, e ele perderia sua sorte
— Quer dizer — disse Makibito — que, se eu entrasse aqui novamente e repetisse as palavras dele, também teria sorte?
— Creio que sim
— Não acredito — disse Makibito —, isso não é possível
— Então saia, bata de novo à porta e me conte o sonho que ouviu há pouco.
Makibito obedeceu e a anciã também lhe prometeu um futuro de sorte. Anos depois ele se tornou um sábio. O rei gostou tanto dele que o convidou para ser seu conselheiro. Em seguida, Makibito foi nomeado primeiro-ministro e casou-se com uma linda princesa. E assim viveu até os cem anos. Mas pouco antes morrer, resolveu contar ao neto a história do sonho:
— O que será que aconteceu ao outro jovem? — Perguntou ao neto. E concluiu — De qualquer modo, aquela anciã era maluca. Até hoje acho tudo isso uma bobagem. Você não concorda?
O neto replicou:
— Mas vovô, você teve mesmo uma vida de muita sorte
Ao que Makibito respondeu:
— Pois é, exatamente como no meu primeiro sonho!
(História do folclore tailandês)
Fonte: Lá vem história: Contos do folclore mundial
Escrito por Heloísa Prieto com ilustrações de Daniel Kondo. Companhia das Letrinhas

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